|
|||||||||||||||
Sobre a tematizaçãoA Pousada das Missões é um complexo de edificações implantadas sobre um terreno com área de aproximadamente 2.400m2 em área de pequeno aclive, ao lado do sítio arqueológico de São Miguel das Missões. Numa área construída de 1.453.26m2,, com espaços de convivência localizados na área frontal do prédio, e unidades de apartamentos distribuídas em duas alas, a norte e a sul, a 450 em direção ao fundo do terreno. O plano de tematização para a pousada tem o objetivo de estabelecer entre os diversos espaços e o visitante uma relação de leitura e apreensão a partir de elementos relacionados a alma e essência deste lugar, envolvendo-o em um novo universo de experiências. Toda a paisagem na região das Missões, tem de alguma forma um valor místico atribuído, por ter sido transformada inicialmente com a contribuição de nativos vinculados ao mundo guarani do Século XVI e pela apropriação do universo tátil que esta natureza proporcionava. Nos vários layers de história estão todas as transformações e momentos que configuraram a paisagem rural e urbana que temos hoje, nos seus aspectos físicos, socio-econômicos e culturais A tematização contempla, exatamente isto, tudo o que está entre o céu e a terra e que essencialmente participou na configuração do meio que temos hoje. Proposta conceitual para tematização:No âmbito individual e coletivo, o turista é o protagonista da nossa experiência de tematização, o elemento essencial ao desenvolvimento e sucesso desta ação. Ao longo dos tempos, o viajante (pode-se considerar aqui, desde os povos nômades, os povos conquistadores até o viajante turista de hoje) viveu uma poderosa e persistente experiência humana, tendo desta maneira participado, de uma forma ou de outra, dos processos de conformação de várias civilizações, em diversas eras da nossa história, figurando no mundo místico das mais variadas culturas. Em parte, a experiência missioneira aconteceu num destes nichos, nos Sete Povos das Missões como experiência de catequização, e desta resultaram grandes transformações, das quais conhecemos o caráter real e utópico desde seu início até o trágico desfecho estabelecido pelas conveniências políticas da época. Na tematização consideramos todo o conteúdo material e simbólico contido não apenas nesta história e seu desfecho, mas também na paisagem na qual hoje, nosso espaço físico está inserido. Neste contexto, a tematização mantém o viajante alerta e sensível aos aspectos simbólicos da cultura-tema, o mundo Guarani e Missioneiro, mantendo-o ativamente num processo de conhecimento, troca e fruição dos elementos próprios das transformações ocorridas nesta cultura. Se por um lado buscamos tratar esta tematização como mote para um estado de apreensão e curiosidade em relação ao local, é muito importante considerar que para o público escolar e especialmente crianças e adolescentes este mote será catalizado pelos aspectos lúdicos do material proposto. Estão sendo trabalhados os nomes e elementos notáveis na história e relações entre o mundo guarani e o mundo dos jesuítas – no caso a Missão. Uma abordagem temática está sendo dada a identidade visual, ao tratamento de mobiliário, ornamentos, artesanato, revestimentos,etc... Em três segmentos, abordamos tematicamente o céu (no sentido astronômico, a região missioneira tem um dos mais belos céus estrelados que alguém pode ver), com um projeto para um observatório sobre uma torre cilíndrica. Entre o céu e a terra pela nomenclatura em língua guarani, estabelecida para as unidades de uma das alas. E a terra, pela iconografia de fauna e flora utilizada no desenvolvimento de produtos artesanais na região, incorporados à decoração dos espaços internos. Pousada Boutique:Além da tematização, a Pousada das Missões estará se transformando – ainda neste ano de 2009 - na primeira Pousada Boutique do sul do País. Através de parceria estabelecida com o SEBRAE-RS e o Projeto ROTA MISSÕES foram desenvolvidas diversas criações têxteis, utilitários e artesanato diferenciado e de alto nível. Sendo assim, a Pousada das Missões estará trabalhando também como uma grande loja, comercializando diversos produtos da região, exibidos em suas unidades de hospedagem, no café da manhã e nos locais de convivência: recepção, sala de estar, refeitório e nas vias de acesso aos apartamentos. Nomes e referências Guaranis para o Refeitório e Unidades de Hospedagem:1 - Igá Os Guarani eram argonautas por natureza. Exímios navegadores, podiam navegar grandes distâncias através de rios turbulentos e encaichoeirados. Construir a “Igá” (canoa) era uma tarefa coletiva: da derrubada da árvore ou a retirada da casca, até o seu transporte à aldeia, para esculpí-la. 2 - Nhamandú O papel central da música na sociedade Guarani é mostrado no mito segundo o qual Ñamandu, o deus Sol, antes de criar a Terra, concebeu primeiramente a linguagem humana. Em segundo lugar, criou o fundamento da relação social baseada na solidariedade, e em terceiro lugar o canto ritual, para somente depois criar o mundo e seus habitantes humanos. 3 - Yequeá Armadilha em forma de cesto trançado com varetas, privada de uma cavidade interna formando um cone de varetas soltas que se abrem para a entrada do peixe e se fecha logo após sua passagem. Na nossa língua se chama nassa. 4 - Caá-poraã De Caá, mato, e Porá, habitante, morador. O Curupira é um caaporá, residindo no interior das matas, nos troncos das velhas árvores. De defensor de árvores passou a protetor da caça. 5 - Huĭ As “huí” (flechas) eram utilizadas para caça e pesca, em vários tamanhos, associadas ou não a arcos e armadilhas. 6 - Keremba Guerreiro Guarani. 7 - Ytaiĭ É o nome em Guarani do machado de pedra, sendo que Ytá significa pedra. No seixo rolado de basalto é esculpido o gume e posteriormente polido. A lâmina seria engastada no cabo do machado através da abertura de uma cavidade num galho jovem, deixando-a ali até que ela fosse apertada pelo crescimento do galho. Depois o galho era cortado, e alisado com plainas de fragmentos de moluscos. 8 - Abambaé Terra dos homens. Abambaé e Tupambaé são termos Guarani para definir os sistemas de trabalho e de propriedade de bens, no regime das reduções. O Abambaé compreendia uma parcela de terra que era cedida a cada família. Esta terra era trabalhada três dias da semana e os produtos desta lavoura eram de propriedade da família. Dispunham da produção com toda a liberdade, dentro de limitações impostas pelo regime da redução a qual pertenciam. 9 - Pindá Para pescar, os Guarani usavam além das flechas, também espinhas à feição de anzóis (pindá), presas a linhas muito fortes, desfiadas de uma planta a que chamavam tucon. 10 - Tupambaé Terra de Deus. O Tupambaé compreendia as terras que pertenciam à comunidade, e eram mais extensas que o Abambaé. Ali aconteciam as plantações para cultivo em grande escala e as estâncias para a criação de gado.Neste sistema do Tupambaé estavam ainda as fábricas e fornos de telhas e a produção artesanal desenvolvida nos ateliês das reduções. A produção no Tupambaé além de cobrir as despesas administrativas e religiosas da redução, tinha caráter solidário, satisfazendo necessidades da comunidade, na aquisição de produtos não existentes na redução, na guarda como estoque para cobrir deficiências eventuais da produção no Abambaé. 11 - Panâcũ Cesto no qual as índias transportam a colheita da roça, lenha, frutos, etc. São elaborados para durar bastante e feitos com uma trama bem compacta, para não permitir que o onteúdo escape de dentro de seu interior. 12 - Tuvichá As Tekoa (aldeia Guarani) tinham um chefe chamado “tuvichá”, que poderia ter várias esposas. Era excelente orador e de grande poder de persuasão, gozando de muito prestígio entre os moradores da aldeia. 14 - Mŷmbucú Denominação das lanças, utilizadas tanto como armas de guerra como instrumentos de caça a mamíferos de grande porte. 15 - Mimby Os Mbya-guarani possuem um repertório numeroso sobre temas musicais em “Mimby pu”, sendo este um instrumento feminino. São elas que confeccionam e escolhem os temas que serão interpretados. Trocando entre si os oito tubos que compõem cada flauta; uma delas interpreta a melodia principal e o restante se ocupa do acompanhamento. Já o “Mimby puku” ou flauta vertical, é um instrumento utilizado pelos Karai (líderes políticos), para anunciar as boas novas ou visitas de mensageiros, através da interpretação de melodias. 16 - Yarará Jararaca (Bothrops alternatus), serpente muito temida, agressiva, rápida e precisa, possui um veneno enérgico e eficaz. Sai a caçar quando cai a tarde, quando abundam suas presas favoritas: roedores, coelhos e lebres, aos quais pode rastrear mediante seu olfato. 17 - Mbaraká Os chocalhos, instrumentos utilizados pelos xamãs (Ramoi guasu) para acompanhar cantos e danças, são denominados Mbaraká mirï. Gesticulados de diversas maneiras, obtém-se uma variedade de timbres ou efeitos rítmicos e sonoros. Quando utilizado separadamente, sem acompanhamento de outro instrumento, serve para a cura de doenças e limpeza espiritual da aldeia . 18 - Inhambu Conhecida como perdiz ou perdigão é de ampla distribuição geográfica no Brasil. Mede entre 35 e 37 cm e habita os campos sujos e cerrados. É o maior Tinamídeo campestre no Brasil, sua plumagem apresenta excelente coloração de camuflagem ou mimetismo, com a vegetação de seu habitat. 19 - Taakuát Taakuát (Guadua sp.). Nome dado ao bambu do qual os Guarani faziam instrumentos musicais. Os instrumentos musicais mais utilizados pelos indígenas eram geralmente feitos de ossos, de cabaças, de bambus, casacas de árvores e taquaras, e decorados com penas e outros enfeites coloridos. Muitos deles eram considerados sagrados. Os mais conhecidos são as maracás, tambores, a flauta e a trombeta de cuia. 20 - Yagareté A onça (Felis onca palustris) é o felino mais corpulento da América Latina. É um animal solitário e muito adaptável a diversos meios e temperaturas. 21 - Angú’á pu Um outro instrumento tradicional dos Guarani, é o tambor "angú'á pu" composto por um cilindro de madeira de "pindó" fechado em ambos lados por duas diferentes membranas de couro. Este instrumento era utilizado para comunicar a chegada de visitas à aldeia e foi adicionado posteriormente às composições musicais junto com os demais instrumentos. 22 - Karagwatá As regiões brejosas da Depressão Central, principalmente nas várzeas dos rios Caí, Sinos, Gravataí e Arroio Jacareí eram conhecidas por conterem grandes concentrações naturais destas Bromeliáceas. O fruto era fervido para produzir suco, para fins medicinais. De suas folhas poderiam se extrair fibras. 23 - Ib¨«rá acãngagŭa Conhecido como “pau com cabeça” ou “maça de guerra”, era um significativo instrumento de guerra e de ritual. Na guerra era empregado como arma de choque no combate corpo a corpo. Como peça ritual, era empregado para golpear a cabeça do prisioneiro que seria consumido na cerimônia antropofágica. Confeccionado em madeira dura e pesada, era também pintado e adornado com plumas. 24 - Ñuhã takuru Para caçar tatu, os Guarini usavam essa armadilha que era uma espécie de gaiola, colocada na abertura da toca do animal. 25 - Tembetá Existem entre os Guarani certas práticas ritualizadas de iniciação dos jovens no mundo adulto, como o Kunumi pepy, momento no qual os jovens meninos recebem prescrições dos mais velhos (seus padrinhos) no sentido de "serem perfeitos" (imarangatuvarã) e preparam-se para perfuração do lábio e a utilização do adorno labial denominado tembetá, sinal fundamental dos grupos Guarani. Esta marca é exclusiva dos meninos Guarani, cabendo às meninas entoar (junto com os demais adultos) os cânticos e as rezas específicas para que o rito ocorra com sucesso. 26 - Gu¨«rapepé Instrumento utilizado para caçar, principalmente aves. É uma combinação de funda e arco para lançar bolotas de argila ou madeira. Para transportar as bolotas os guarani usavam uma bolsa cilíndrica denominada adjo'i, presa em uma alça, para carregá-la a tiracolo, confeccionada com fibras de gwembe'y (cipó-imbé). 27 - Tambeó “Tambeó” era o nome dado aos adornos de penas, que os Guarani usavam nos braços, tornozelos e cabeça, durante as cerimônias. ângua¨« Com o ânguai, (mão de pilão), eram triturados sementes de milho, frutos e se esmagava a mandioca. O ato de pilar é designado como “ayoçog angúa pipê” (moer em pilão). Duas mulheres golpeavam alternadamente com a mão de pilão e uma terceira agregava grãos entre os que iam sendo pilados. iátyâpẽ Os Guarani possuíam colheres feitas de madeira e de porongo. Com as cabaças de porongo de forma duplamente esferoidal, de paredes infletidas, cortadas num plano inclinado, produziam uma colher de cabo curvo denominado “iátyapẽ”. ¨«bẽcẽ O nome Guarani de ralador era“¨«bẽcẽ” e deveria ser confeccionado com incrustação de pequenas lascas líticas em pranchas de madeira. Um dos produtos processados no “¨«bẽcẽ” era a “tipirati”, que era a farinha de mandioca ralada e moída. tipití O tipití é um cesto tubular extensível, para prensar a polpa da mandioca amarga com o objetivo de extrair o ácido hidro-cianídrico, tóxico para o homem. Para usá-lo era necessário uma estrutura para fixar o anel superior do tubo e uma alavanca no anel da extremidade inferior, para distendê-lo. môcaêtá Grelha usada para defumar ou assar carnes. A palavra “môcaê” (coisa enxuta), com o sentido de desidratar e secar, poderia significar tanto as carnes assadas para consumo imediato, quanto as carnes defumadas para estocagem por algumas semanas ou meses. ñuha mborevi ayura gua Armadilha específica para tapi’ í (anta). Era armada na trilha do animal e matava por enforcamento a partir do acionamento do gatilho que liberava a extremidade de uma árvore arqueada com uma corda de fibras. Era extremamente reforçada, pois a anta poderia chegar ao peso de 300 kg. |
|
Mais informações sobre a Região das Missões ou onde se localiza a pousada podem ser obtidas no site rotamissoes.com.br ou pelo e-mail missoes@terra.com.br |